Ser Criança – Palestra com a Psicopedagoga Ana Baiana

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É sempre muito difícil escrever algo sobre este tema, ainda mais quando tentamos convidar a uma reflexão pessoal e coletiva.

Toda criança é uma promessa de felicidade e amor; ela tem capacidade de criar, recriar, envolvendo-se num mundo rico de imaginação. Ela conversa com DEUS de igual para igual, ela é capaz de alcançar as estrelas, caminhar com a lua, encontrar o pequeno polegar, enxergar os carneirinhos no céu, falar com amigo imaginário, desenhar, pintar e explicar com naturalidade a sua obra, que para o adulto é confusa e/ou indefinida.

Para a criança a vida compreende muitos “eus”, muitas vidas. Ela não tem medo, ela é simples, sincera, transparente, sem maldade, sem preconceito, espontânea e para ela tudo é possível, brincando representa o seu mundo simbólico, pois é através do brincar que enriquece o seu conhecimento, desenvolve a sua inteligência, passando por fases de acertos e erros, facetas de percepção, desníveis inesperados. É neste clima de brincar que acontece a aprendizagem de maneira lúdica e significativa, tendo à frente seus pais que são os primeiros educadores, os primeiros catequistas, os primeiros evangelizadores na vida de uma criança. É na infância, de fato, o momento ideal para cometer falhas e erros nas iniciativas, nos gestos e nas atividades, porque os pais estão presentes e atentos para ajudá-la a encontrar as soluções do conflito que naquele momento está vivendo. A presença dos pais é importante e necessária para fazê-la frear e parar diante de um risco, de um perigo, fortalecendo a confianças e consequentemente autonomia e responsabilidade.

São os pais que estruturam a base de toda a educação, entretanto, com advento da tecnologia as brincadeiras infantis, o momento de contar histórias, as brincadeiras de rodas, as musiquinhas de afeto, etc., perderam lugar para os games do computador, vídeos de personagens que a sociedade tenta impor como parâmetro para uma educação globalizante e moderna.

Não querendo ser radical, entretanto, pela experiência profissional na área de educação, recebemos diversas crianças que não conhecem mais a magia do “faz de conta”, brincadeiras de cavalinho de pau, das bolinhas de gude, do jogo das petecas, cobra cega, passa anel, amarelinha, cinco marias etc. Percebemos que perderam o contato com os brinquedos artesanais, com os amiguinhos e suas atitudes parecem pré concebidas de acordo com a exigência de uma sociedade capitalista, onde as famílias são seduzidas pelas propagandas dos brinquedos eletrônicos, que incentivam ao máximo o consumo das pessoas, ou melhor dos consumidores, e acaba reduzindo o processo de humanização ao ter, principalmente quando comemoram-se datas especiais, como por exemplo o Dias das Crianças, Páscoa e Natal.

Manifestamos aqui nossa preocupação da época que estamos vivendo: época do consumismo irracional, onde não é mais importante se você é ou não um trabalhador, mas sim, se você é ou não um consumidor.

Na nossa percepção, o mito do progresso da modernização, enfatizando a ideia de que a ciência e a tecnologia nos levam ao progresso infinito, na realidade, nos dá ilusão de que “querer é poder”, preenchendo a carência de nossas crianças com presentes mecânicos, de etiquetas e de marcas sofisticadas, saciando o desejo de plenitude de ser através do consumismo. Pais acordem! Sabemos que o trabalho é necessário, porém, organizem-se e arrumem um tempo para resgatar as brincadeiras antigas, participar mais da vida escolar, incentivá-los à leitura, pois o exemplo dos pais tornam-se parâmetros na formação moral, social, afetiva e intelectual.

Reflitamos então que nossas Crianças, precisam ser trabalhadas e respeitadas como crianças. Brinquem com elas, resgatem as brincadeiras tradicionais, cantem, orem, dancem, devolvam o poder à infância, especialmente à criança adormecida que vive dentro de vocês.

Deixem de lado as ideias prontas, concebidas para todos e boas para ninguém. Afirmamos que uma coisa é certa: ocupar-se de e com as crianças nos permite fugir do vazio interior, da depressão, da fossa, do desgosto, do sem sentido. Ocupar-se de e com crianças dá sentido à vida. Agradeçamos a DEUS que um dia já fomos crianças e que todos os dias é DIA DE SER CRIANÇA.

 Ana Maria Gomes Ramos Araújo (Ana Baiana)

 Psicopedagoga Clínica

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1 Comentário

  1. […] Agora, elas brincam na escola e quando chegam em casa continuam brincando e colocando em prática o que viveram e aprenderam na escola. Isso permite que exteriorizem suas emoções: alegrias, sentimentos, momentos difíceis, frustrações, etc. Portanto, é importante manter o equilíbrio entre o “brincar tecnológico e o brincar tradicional” para garantir que a criança desenvolva sua criatividade, ganhe mais autonomia, e, acima de tudo, não deixe de ser criança. […]

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